Uma linguagem comum para as luzes
DMX512 (ou simplesmente DMX) é o padrão com que uma mesa de luz ou um computador conversa com os aparelhos de iluminação: PAR de LED, moving heads, strobos, máquinas de fumaça, dimmers… Quase todo aparelho de show tem uma entrada DMX, então com um mesmo controle você opera equipamentos de marcas diferentes.
A ideia é simples: o controle envia o tempo todo uma lista de números, e cada aparelho escuta os que são dele.
Universos e canais
- Um universo é uma linha DMX com 512 canais.
- Cada canal leva um valor de 0 a 255: 0 é desligado ou o mínimo, 255 é o máximo.
- O controle repete o universo inteiro muitas vezes por segundo (até umas 44), então as mudanças aparecem na hora.
Se o seu equipamento precisa de mais de 512 canais, você usa mais universos: cada um sai pela sua interface ou pela rede (veja Art-Net e sACN).
Quantos canais cada aparelho usa
Cada aparelho ocupa vários canais seguidos, conforme o seu modo (ou “personalidade”):
| Aparelho | Canais comuns | O que cada um controla |
|---|---|---|
| PAR de LED simples | 3 a 4 | Vermelho, verde, azul (e branco) |
| PAR de LED completo | 6 a 8 | Dimmer, cores, strobo, programas internos |
| Moving head | 12 a 30 ou mais | Pan, tilt, cor, gobo, foco, prisma, dimmer… |
| Máquina de fumaça | 1 a 2 | Quantidade de fumaça, ventilador |
O modo é escolhido no próprio aparelho, e o manual dele diz o que cada canal faz. Por isso os programas de controle usam bibliotecas de fixtures: definições com os canais de cada modelo, para que você não precise decorá-los. O DMX Total Control traz milhares, além da Open Fixture Library e da importação de GDTF (veja Fixtures).
O endereço DMX
O endereço é o primeiro canal que um aparelho escuta. Ele é ajustado no próprio aparelho, no display ou com umas chavinhas (dip switches).
Por exemplo, com PAR de 7 canais:
- O primeiro, no endereço 1, usa os canais 1 a 7.
- O segundo, no endereço 8, usa os canais 8 a 14.
- O terceiro, no endereço 15, e assim por diante.
Dois aparelhos iguais com o mesmo endereço fazem exatamente a mesma coisa: às vezes é o que você quer (dois PAR sempre iguais) e às vezes é um erro. Ao patchear no programa, use o mesmo endereço e o mesmo modo que estão no aparelho. O Patch sugere o próximo endereço livre.
Cabos, cadeia e terminador
- Os aparelhos são ligados em cadeia: do controle ao primeiro aparelho, da saída dele (DMX OUT) à entrada do seguinte (DMX IN), e assim até o último.
- Use cabo DMX (de 110 a 120 Ω). O cabo de microfone tem os mesmos conectores XLR, mas não foi feito para dados e dá problema em lances longos ou com muitos aparelhos.
- Os conectores podem ser XLR de 3 ou de 5 pinos; com um adaptador você passa de um para o outro.
- Em uma mesma linha cabem uns 32 aparelhos. Para mais, ou para dividir o sinal em várias direções, use um splitter DMX.
- Coloque um terminador (um resistor de 120 Ω dentro de um conector) na saída do último aparelho. Sem ele o sinal reflete e aparecem piscadas estranhas.
8 e 16 bits
Alguns parâmetros precisam de mais precisão do que 256 passos, principalmente o pan e o tilt dos moving heads. Para isso eles usam dois canais: um grosso e um fino (16 bits, 65.536 passos). Se a biblioteca tiver o modo correto do aparelho, o programa cuida disso sozinho.
Quem vence quando duas coisas mexem no mesmo canal
Quando duas cenas mandam no mesmo canal, há duas regras clássicas:
- HTP (o mais alto vence): para as intensidades. Se uma cena coloca um dimmer em 50 % e outra em 80 %, sai 80 %.
- LTP (o último vence): para o resto (cor, posição, gobo…). Manda a última cena que mexeu no canal.
O DMX Total Control acrescenta prioridades de 0 a 10 por cena: a de maior prioridade manda, também nas intensidades. Isso é explicado em Ao vivo.
Próximo passo
Com isso você já pode conectar suas luzes ao computador. Se ainda não tem interface, veja como escolher uma interface DMX USB.